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Marido leva esposa com doença rara à Serra da Canastra: 'movidos a desafio'


Em cadeira adaptada, alpinista amadora pode continuar a visitar montanhas. Casal foi desencorajado, mas conheceu atrativo turístico em MG neste ano.

A Serra da Canastra abriga belezas únicas e recebe anualmente visitas especiais, como a do casal de alpinistas amadores de São Paulo, Guilherme Simões e Juliana Tozzi, que estiveram no Centro-Oeste de Minas pela primeira vez no início de 2017. Com uma doença rara, Juliana não consegue se locomover, mas o marido a leva em uma cadeira adaptada. Há pouco mais de um ano, eles mostram que não existe montanha alta o bastante ou caminho difícil demais. "Somos movidos a desafios", disse Guilherme.

Com a cadeira adaptada, os dois já percorreram mais de 30 locais diferentes e a Serra da Canastra estava na lista dos destinos ainda não visitados. Para o casal, que sempre viaja na companhia de amigos, foi uma visita duplamente especial. "Foi nossa primeira viagem sozinhos. Eu, Ju e nosso filho Ben, por isso, foi uma viagem marcante", diz Guilherme.

Outro fator que estimulou a visita, foi que Guilherme foi aconselhado a não visitar a Canastra por ser um local com pouca acessibilidade. "Quando estávamos planejando e que liguei para a região para saber se era possível visitar a Serra com minha esposa cadeirante, fui aconselhado a não ir. Foi aí que resolvemos de fato encarar o desafio e fomos", destacou.


História

O casal sempre foi apaixonado por trilhas, montanhas e viagens. Juntos, já caminharam por mais de 30 trilhas diferentes, até que Juliana teve um câncer de mama. Com apoio da família e com muita determinação, o casal venceu a doença.

Depois decidiu dar uma pausa na vida de aventuras e decidiram aumentar a família com um filho, hoje com um ano. Juliana engravidou, mas no início da gestação, cerca de dois meses depois ocorreu um novo problema de saúde. "O câncer reapareceu, mas só depois soubemos disso", contou Guilherme.

No início, como lembra Guilherme, a doença era desconhecida. Juliana perdeu a coordenação das mãos, das pernas e a fala ficou arrastada no quarto mês de gestação. O filho do casal, Benjamim, nasceu no sétimo mês de gravidez e então Juliana realizou os exames que não podia fazer quando estava grávida.

"Foi quando ela teve o diagnóstico de degeneração cerebelar paraneoplásica, uma síndrome neorológica rara. No caso da Juliana, a doença ocorreu por conta do reaparecimento do câncer", disse Guilherme.


Ideia inovadora

A doença não diminuiu em nada o amor do casal pelas montanhas, mas Juliana já não conseguia chegar até elas. Para fazer com que a esposa vivesse exatamente do jeito que ela queria, Guilherme fez a promessa de que, onde Juliana quisesse ir, ele a levaria.

“Foi uma promessa que fiz a ela. A partir daí, iniciei uma mobilização e criei o projeto de uma cadeira especial. Com alguns consegui viabilizar a cadeira e desde então nada nos limita mais", destacou.

Junto com um amigo, o marido deu vida à ideia da cadeira desenhada especialmente para a esposa. Quando ficou pronto, o equipamento foi carinhosamente chamado de "Julietti”. Para Juliana, mais uma das inúmeras provas de amor do marido. "Eu pensei que nunca mais pudesse ver uma montanha. A gente se ama", afirmou.



'Montanha para Todos'

O equipamento deu tão certo que a ideia é que Julietti seja acessível ao maior número de pessoas com outras deficiências. Foi então que surgiu o projeto "Montanha para Todos".

"Assim que determinamos nossa primeira trilha com a cadeira nova, pensei que isso deveria se tornar público e acessível. Cheguei em casa e já criei uma página nas redes sociais, com a foto. No dia seguinte já havia milhares de visualizações, jornalistas me procuraram para contar a história e desde então não paramos mais de difundir a ideia de que tudo é possível, basta determinação, adaptação e amigos", ressaltou.

E os projetos mão param por aí. Eles ainda devem viajar pela América do Sul neste ano e ainda programam uma volta ao mundo prevista para 2019.

Serra da Canastra
Cercado por um chapadão tomado pelo verde, o Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado por decreto no dia 3 de abril de 1972, com 200 mil hectares. A região atrai turistas que buscam tranquilidade e águas calmas das cachoeiras que estão presentes em toda área.

Segundo a Associação de Turismo da Serra da Canastra (Atusca), o ecoturismo na região vem ganhando novos contornos e apaixonados por trilhas a pé ou de bicicleta tem frequentado cada vez mais o local. As cachoeiras como a famosa Casca d’anta e trilhas, também chamam atenção daqueles que querem um contato com a natureza.

Além de tudo isso, o local abriga a nascente do Rio São Francisco, o maior rio totalmente brasileiro, cuja bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação – Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe.

Há ainda na região o turismo gastronômico. Quem vai à Serra da Canastra não sai da região sem antes experimentar o queijo Canastra. O produto de origem e produção em Minas Gerais, surgiu na região da Serra da Canastra. Desde maio de 2008 o queijo canastra é patrimônio cultural imaterial brasileiro, título concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)


FONTE: G1 Globo/Centro-Oeste-MG > 05/01/2017 

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