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Gata de Rodas na II Caminhada pela Paz: “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego


Vale a pena relembrar a II Caminhada pela Paz: “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego”, esse importante momento de luta do segmento T da militância LGBT.

Por serem considerados doentes, estranhos, exóticos, aberrações, esquisitos, entre outros adjetivos pejorativos, a galera do segmento T do LGBT, tem uma dificuldade enorme em encontrar emprego formal e devido a essa falta de oportunidade gerada por toda essa transfobia, por esse preconceito, por essa descriminação e também, pela falta de conhecimento, boa parte desse segmento para poder sobreviver acaba recorrendo ao trabalho informal ou a prostituição.



Há quem ache que é safadeza, há quem queira curá-los ou até quem acredite que eles estão vivendo uma fase e que logo tudo passa e eles voltarão a ser “normais”. Também não falta gente para julgá-los (condená-los e até matá-los), que se preocupa como eles se vestem e como quem eles dormem, mas falta o principal: gente para dar-lhes emprego, respeito e dignidade.



A tradicional Caminhada pela Paz, além de celebrar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado em 29 de janeiro, que tem como objetivo visibilizar a população trans e chamar a atenção os para direitos básicos que lhes são negados apenas só por serem o que são, e o emprego é um deles. E foi justamente pela promoção do direito a inserção das pessoas trans do mercado formal de trabalho, que nesse ano a II Caminhada pela Paz foi as ruas reivindicar.


A II Caminhada pela Paz: “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego” aconteceu no sábado, 28 de janeiro/2017. A II Caminhada começou no Vão Livre do MASP, na Av. Paulista, centro de São Paulo, e seguiu rumo a Câmara Municipal de São Paulo. A marcha teve como um dos promotores, o Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (Cais) que encabeça a luta “pela promoção do direito à inserção das pessoas trans do mercado formal de trabalho”.



A organizadora e presidente da CAIS – Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais, Renata Peron, que é uma mulher transexual, afirma que a população T tem seus direitos negados em várias áreas. Como no emprego, onde 90% tem que recorrer à profissão do sexo para sobreviver.



A II Caminhada pela Paz: “Sou Trans, Quero Dignidade e Emprego, teve como mestre-de-cerimônias, a professora e ativista travesti Erika Hilton. Erika Hilton é a primeira candidata transexual que a cidade de Itu já teve. Erika falou sobre a difícil realidade das pessoas trans no preconceituoso no mercado de trabalho e exigiu representatividade em todas as categorias, em todas as profissões.



No ato, houve falas de travestis, de homens e mulheres trans, de pessoas Intersex e também de vários coletivos e ONG’s. Paula Beatriz, considerada a primeira mulher transexual a ocupar o cargo de diretora de escola do Estado de São Paulo. Paula Beatriz, declarou que só teve seu emprego garantido porque prestou concurso e passou. Mas que se dependesse de trabalhar em uma escola particular ou na universidade certamente iria escutar: “a vaga já foi preenchida”. E ficaria fora do mercado formal.


Um documento foi encaminhado ao vereador Toninho Vespoli para que haja cotas para travestis, mulheres transexuais, homens trans e outras transgeneridades. “Não queremos nivelar por baixo. O negócio é a gente ter dignidade e respeitar o trabalho de cada uma delas. Se a menina é formada em pedagogia, ela tem que ser contratada para exercer a sua função como pedagoga e não para servir cafezinho, por exemplo”, disse Renata Peron. Para Renata, é comum ocorrer a desqualificação profissional quando a pessoa é transexual ou travesti.



A jovem vereadora Sâmia Bomfim não só participou da Caminhada, como também ouviu as demandas e reafirmou o seu compromisso com a comunidade trans.


Fefito também "colou" no Ato. Para o jornalista e apresentador Fefito (Fernando Oliveira), que havia de gravado um vídeo e publicado na página do CAIS no Facebook convidando todxs para "colar" na Caminhada, o movimento trans ainda está lutando para se inserir no mercado de trabalho. Para ele, está mais do que na hora do movimento T sair da invisibilidade.



“Mães pela diversidade” também compareceram na Caminhada. “Mães pela diversidade” é um coletivo nacional composto por mães (em maioria) e pais de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, sendo que algumas famílias que compõem o grupo perderam seus filhos assassinados por conta da homotransfobia.


Para a escritora e transativista Amara Moira, é preciso muita persistência porque o problema está no fato de que o mercado de trabalho os desqualificam profissionalmente pois só conseguem vê-lo como travestis.


Ressaltando não só a importância da existência, mas da resistência e da luta pela garantia e ampliação dos direitos da população T, vale citar Paulo Freire, em sua última entrevista, em 1997, quando o educador e pedagogo destacou a força histórica das marchas deixando uma maravilhosa e otimista mensagem de esperança para todos nós:

"Eu morreria feliz se eu visse o Brasil cheio em seu tempo histórico de marchas. Marcha dos que não tem escola, marcha dos reprovados, marchas dos que querem amar e não podem, marcha dos que recusam a uma obediência servil, marcha dos que se rebelam, marcha dos que querem ser e estão proibidos de ser. Eu acho que as marchas são andarilhagens históricas pelo mundo. Essas marchas nos afirmam como gente, como sociedade, e querendo democratizar-se. As marchas históricas revelam o ímpeto da vontade amorosa de mudar o mundo."

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