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Gata de Rodas na Hora do Rush

A visão que algumas pessoas têm sobre o cadeirante. Como qualquer cidadã que trabalha e paga impostos, na sexta-feira, 14/07/2017, eu precisei sair para resolver assuntos profissionais e na hora de voltar para casa, por ironia para não dizer sacanagem, era a hora do rush, mais ou menos 18:30min, e eu me encontrava na estação Anhangabaú do metrô de São Paulo, sentido Corinthians-Itaquera. 

A plataforma estava lotada e tinha até fila de cadeirantes no espaço reservado para os preferenciais. O metrô chegou e só foi gente se espremendo tentando ocupar os minúsculos espaços que sobravam nos vagões a ponto de quando a porta fechou só dava mesmo para mexer os olhos.

Resolvi ir então fazer o caminho contrário e fui até a Palmeiras-Barra Funda, que pelo horário era contrafluxo, para quem sabe lá eu conseguisse ao menos entrar no vagão. Porém, não muito diferente do Anhangabaú, a Barra Funda também estava lotada tanto que só foi quando apitou e a porta do metrô já estava quase fechando que eu consegui entrar. E lá dentro, só foi pedindo licença daqui e informando cuidado com o pé dali, que eu consegui me acomodar no espaço reservado para os cadeirantes.

Mas a saga só estava começando porque a cada estação o metrô lotava cada vez mais: era gente caindo em cima de mim, era bolsa tirando "fininnha" na cabeça e quando eu dei por mim, tinha até um senhora enroscada na minha cadeira de rodas. E foi essa senhora que soltou a pérola que me inspirou a fazer esse relato. Pois é, essa senhora enroscada na minha cadeira de rodas, olhou para a Lu, a minha "migacompanhante", e indignada perguntou para ela:

- Como você tem coragem de sair com uma cadeirante numa hora dessas?

Percebi nessa situação, que essa senhora era mais uma daquelas pessoas que compartilha a ideia de que a pessoa deficiente não é capaz de responder por si mesma, então para surpreendê-la e também porque não pude me conter mediante o descabimento da pergunta, e assim, antes mesmo que a Lu saciasse a nada a ver curiosidade dessa cidadã, eu a antecipei e educadamente, porém com uma vontade enorme de dizer-lhe umas verdades, respondi alto e bom som a malfadada pergunta:

- Senhora, eu também trabalho como boa parte dessas pessoas que aqui estão.

A senhora não retrucou, mas me olhou com um tremendo ar de surpresa, e quando eu reparei outros olhares também surpresos se voltavam para mim como se fosse algo do outro mundo uma cadeirante trabalhar.

Achei que eu tinha dado um cala boa na galera, mas para não fugir da regra, tão logo a senhora se desenroscou, o assunto do vagão mudou de foco e foi para doença e novamente senti olhares sobre mim, mas dessa vez, percebi que os olhares agora eram de pena. Deu vontade de informar as desavisados que eu não sou doente, que eu não estava voltando do médico, nem do INSS e nem da fisioterapia, como é de praxe algumas pessoas pensarem quando veem uma pessoa deficiente no transporte público, mas preferi me calar e dar atenção a uma jovem que estava voltando da quimioterapia e começou a desabafar com o pessoal ao redor porque eu, 'Graças a Deus!', estou muito bem de saúde.

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