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Gata de Rodas comenta - Ciclo de debates 'Um século e meio de abolicionismo: prostituição, criminalização e o controle da mulher'


Em comemorações de aniversário dos 30 anos do Movimento Brasileiro das Prostitutas, o Coletivo Davida e o Observatório da Prostituição - UFRJ, promoveram o ciclo de debates “Um século e meio de abolicionismo: prostituição, criminalização e o controle da mulher”, por cinco cidades brasileiras: Florianópolis, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.


O ciclo de debates “Um século e meio de abolicionismo: prostituição, criminalização e o controle da mulher” aqui em São Paulo, aconteceu na segunda-feira, 07/07/2017, na Cia Pessoal do Faroeste (Rua do Triunfo, 305 - Santa Efigênia - Centro). E a entrada foi gratuita.


Paulo Faria deu as boas-vindas aos palestrantes e recebeu a todos no caloroso espaço da Cia. do Faroeste. Paulo Faria é diretor na empresa Pessoal do faroeste.


“Um século e meio de abolicionismo: prostituição, criminalização e o controle da mulher” travou um importante debate sobre a prostituição feminina e o papel social, jurídico, histórico e antropológico dessas mulheres que, segundo as palavras da antropóloga Ana Paula foram as primeiras a fazer da rua um espaço público também para mulheres e assim quebrar o estigmatizado padrão de comportamento de "dona de casa"  imposto às mulheres pela sociedade machista e patriarcal. Ana Paula da Silva que foi a mediadora do debate, é antropóloga (INFES/UFF), pesquisadora do Observatório da Prostituição e atual presidenta do Coletivo Davida. Ana Paulo foi a medidora do debate.


Mindy, uma americana que não fala português, ao relatar  um  conflito racial pouco conhecido que aconteceu nos Estados Unidos por volta de 1968, que envolveu um negro que matou um policial branco e que desencadeou uma série conflitos de vinganças por parte dos policias brancos que não só passaram a agredir a população negra como também passaram a desferir a sua fúria sobre as prostitutas negras, mostrou a desproteção e a vulnerabilidade dessas profissionais   quando a violência e a repressão advém dos próprios agentes da lei. Melinda “Mindy” Chateauvert, é ativista norte-americana e historiadora do movimento das trabalhadoras sexuais.


Pye, uma  simpática sueca que fala até que razoavelmente bem o português de Portugal, em seu relato trouxe um pouco da realidade da Suécia, um país de primeiro mundo mas que é extremamente machista e capacitista onde a prostituição é uma atividade discriminada e marginalizada social e juridicamente, no qual se a mulher prostituta for mãe, ela corre o risco até de perder a guarda do filho por forças da lei. 


E conforme, Pye me falou após o debate, a situação da prostituta piora  se ela for deficiente porque o serviço dessas mulheres é desvalorizado, inferiorizado e acaba sendo mais barato do que as outras mulheres sem deficiência. Pye Jakobsson é presidenta do NSWP, organização internacional para profissionais do sexo.


Monique Prada, essa sorridente brasileira, além de falar sobre 
as demandas das prostitutas, da CBO 5198 e do projeto de Lei Gabriela Leite que tramita no Congresso que visa a regulamentação da prostituição como profissão, Monique fez uma análise do Projeto de Lei 377/2011, de autoria do Deputado Federal João Campos que pretende criminalizar a conduta dos clientes dos profissionais do sexo (comparando-se assim ao modelo utilizado na  Suécia) e da polêmica que envolve o feminismo x prostituição. Monique Prada é trabalhadora sexual, ativista e escritora, ex-presidenta da CUTS - Central Única de trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais.


Thaddeus Gregory Blanchette, antropólogo (UFRJ/Macaé) e pesquisador do Observatório da Prostituição, além de sido o interprete das palestrantes estrangeiras, Thaddeus mostrou-se bastante preocupado com a conjuntura política do país, justamente porque há  projetos de lei que tramitam no Congresso que criminalizam a contratação e oferta de serviços sexuais, baseados no controverso “modelo sueco”, apontado em relatório da Anistia Internacional como desfavorável à proteção dos direitos dessas profissionais, e que podem ser aprovados dependendo de quem ganhe o pleito nas próximas eleições.


A rodada de debates teve apoio da Open Society Foundation.


"O desafio é não se submeter ao desejo alheio" - Monique Prada


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