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A relação da publicidade com a mulher com deficiência, acima de 45 anos e a orientação sexual - Por Gata de Rodas

Ivone Oliveira também foi uma das modelos do Mulheres (In)Visíveis
Conforme o censo de 2010, aproximadamente 46 milhões de brasileiros (45,6), cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva). Pela análise por sexo, observou-se que 26,5% da população feminina (25,8 milhões) possuía pelo menos uma deficiência, contra 21,2% da população masculina (19,8 milhões). O que o censo não diz é que a maior parte dessa população de homens e mulheres com deficiência é invisibilizada pela sociedade capacitista.

Seguindo o fluxo dessa sociedade excludente ou mesmo por falta de informação dos profissionais da área, são muitas as mídias que usam erroneamente a terminologia “pessoa portadora de deficiência” quando se referem a pessoa que tem uma deficiência quando o correto é “pessoa com deficiência”, ressaltando a pessoa à frente de sua deficiência.

Considerando ainda a publicidade como parte do processo de comunicação que tanto produz como repercute informações através de uma determinada realidade social, percebe-se também que a pessoa com deficiência, independente do tipo de deficiência, cor, idade, orientação sexual etc e tal é uma das menos empregada para transmitir essas informações.
Em relação a mulher com deficiência, talvez a mais conhecida pelas mídias seja a icônica pintora Frida Kahlo, que aos 6 anos de idade contraiu poliomielite que comprometeu permanentemente o seu pé direito (sem falar que a poliomielite foi a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida). Mas, até mesmo a mexicana Frida Kahlo é muito mais divulgada por ser feminista e bissexual do que deficiente, então vem a pergunta que não quer calar: por onde andam essas 25,8 mil mulheres brasileiras com deficiência apontada pelas pesquisas do Censo 2010 e quase não se tem notícias delas na publicidade? Simplesmente elas não aparecem porque são descartadas por não se encaixarem nos padrões de beleza e de estética aceitos e confiáveis para divulgar produtos, serviços e marcas com o objetivo de estimular as relações comerciais e profissionais. Embora tanto homens quanto mulheres com deficiência estejam sujeitos a essa forma de exclusão pela aparência (que no caso diz respeito principalmente a relação de que quanto menos a deficiência é visível, maior é a aceitação na sociedade e, consequentemente, nas campanhas publicitárias), é a mulher, seja ela com deficiência ou não, que é muito mais cobrada quando o assunto é beleza e perfeição.
Enquanto o fato de serem descartadas pela publicidade como “garotas propagandas”, pode mexer com a autoestima de algumas dessas mulheres com deficiências, outras por sua vez não se intimidam e estão na política, na Bienal do Livro lançando livro, na televisão fazendo novela, posando nua para ensaio fotográfico, fazendo casting para banco de imagens, abrindo a Parada Orgulho LGBTI+ de São Paulo, sendo coroada musa de bloco de carnaval, enfim estão mostrando que mulher com deficiência existe, resiste, faz e pode sim virar manchete
Mas, mesmo diante desses percalços, a publicidade não deixa de ser um veículo de inclusão social quando desmistifica a deficiência e coloca as pessoas com deficiência como donas do seu próprio destino, ou seja, trabalhando, estudando, constituindo família, se divertindo, enfim, em situações comuns a qualquer outra pessoa sem deficiência e não somente como coitadinhos, exemplo de superação, super-heróis entre tantos predicados que só perpetuam os esteriótipos da piedade e do vitimismo para com a pessoa com deficiência, por mais que ser deficiente seja matar um leão por dia.

Presente no nosso dia a dia, a publicidade pode parecer que somente reflete a sociedade vigente, mas ela também incentiva e molda comportamentos. Então já passou da hora da publicidade mostrar à sociedade a face da pessoa com deficiência, mas para isso é preciso que a publicidade enxergue além das aparências e veja a pessoa e não a somente a deficiência. Entenda que as pessoas com deficiência também consomem, gastam, produzem, tem preferências e tem necessidades como todas as pessoas consideradas normais e que todas essas pessoas com deficiência formam um amplo e importante segmento de quase 46 milhões de brasileiros que também tem o direito de ser representado na transversalidade do cotidiano e não somente como uma pauta especial como se fosse algo à parte da sociedade.
Texto por Ivone Oliveira, a Gata de Rodas, uma mulher cadeirante bissexual de 49 anos de idade que hoje é blogueira, palestrante, militante e ativista pela causa da mulher com deficiência e da diversidade sexual. Ela também foi uma das modelos do Mulheres (In)Visíveis.
O Mulheres (In)Visíveis é primeiro banco de imagens de mulheres que você não vê na publicidade. Criado pela 65/10 e Adobe, você pode ver e comprar as fotos do projeto aqui: https://adobe.ly/MulheresInvisiveis18
Fonte: Medium


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