10/09/2019

A história da pessoa com deficiência desde os primórdios.

Stephen Farfler era paraplégico e em 1655, na Alemanha, construiu uma cadeira de rodas para se locomover.
Era feita em madeira, com duas rodas atrás e uma na frente, acionada por duas manivelas giratórias.

Hoje, darei uma rápida pincelada na história das pessoas com deficiência desde os primórdios. Afinal não é comum falar sobre esse assunto como disciplina curricular em sala de aula. 

Os estudos históricos demonstram que as pessoas com deficiência foram na sua maioria vitimadas pela rejeição do Estado, da sociedade ou até mesmo pela própria família.

A humanidade teve diferentes percepções a respeito da deficiência e a maioria delas não foram favoráveis à pessoa com deficiência, com exceção: do Egito Antigo, onde a pessoa com deficiência integrava-se nas diferentes e hierarquizadas classes sociais (faraó, nobres, altos funcionários, artesãos, agricultores, escravos). Inclusive, estudos indicam que o rei Tutancâmon, o jovem faraó no Egito, era frágil, deficiente físico e sofria de uma desordem óssea conhecida como Doença de Köhler quando morreu aos 19 anos de idade. 

E também os hindus, que considerava os cegos, pessoas de sensibilidade interior mais aguçada, justamente pela falta da visão, e estimulavam o ingresso dos deficientes visuais nas funções religiosas.

Segundo estudos, na Pré-História, devido o ambiente desfavorável onde só os mais fortes sobreviviam, ou a pessoa com deficiência morria ou acabava sendo abandonada por ser considerada um fardo para tribo.

Na Grécia, as pessoas nascidas “disformes” eram abandonadas ou, ainda, atiradas de cima das montanhas; em Esparta, os nascidos com deficiência eram eliminados porque só os fortes sobreviviam para servir ao exército.

Pelas leis romanas da Antiguidade, os pais era permitido matar as crianças com deformidades físicas, pela prática do afogamento. Os sobreviventes eram explorados nas cidades como pedintes, ou passavam a fazer parte de circos para o entretenimento dos abastados.

Na idade média, as pessoas com deficiência eram frequentemente vistos como possuídas pelo demônio e eram queimadas como as bruxas. A população ignorante encarava o nascimento de pessoas com deficiência como castigo de Deus.

Os hebreus consideravam a deficiência uma espécie de punição de Deus, e impediam qualquer pessoa com de deficiência ter acesso à direção dos serviços religiosos.

Os índios Peruanos trancavam seus deficientes em jaulas para serem humilhados.

Somente a partir do Renascimento e da chamada Era Moderna, que se inicia depois das Revoluções Industrial na Inglaterra (1760) e Francesa (1789), é que começam a aparecer com mais frequência registros de trabalho produtivo de pessoas com deficiência.

Neste momento, foi fundamental o desenvolvimento de equipamentos assistivos como: cadeira de rodas, bengalas e próteses. Nos séculos que foi de XIV ao XVIII, ocorreram grandes transformações marcadas pelo humanismo. Gerolamo Cardomo, médico e matemático inventou um código para ensinar pessoas surdas a ler e escrever, por meio de sinais. Esse método contrariou o pensamento da sociedade da época que não acreditava que pessoas surdas pudessem ser educadas.

No início do século XIX, na França, Louis Braille cria e aperfeiçoa o código Braille, que permitiu a integração dos cegos a uma linguagem escrita.

No Brasil o Imperador Dom Pedro II (1840-1889), cria o Imperial Instituto dos Meninos Cegos atualmente Instituto Benjamin Constant, três anos depois em 26 de setembro de 1857, o Imperador funda o Imperial Instituto de Surdos e Mudos atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, que passou a atender pessoas surdas de todo o país, a maioria abandonada pelas famílias.

No Século XX por volta dos anos de 1902 até 1912, já começavam a perceber que as pessoas com deficiência precisavam participar ativamente do cotidiano e integrarem-se na sociedade.
Ao longo da história, diversos termos foram usados para se referir às pessoas com deficiência, ao longo do tempo, ficando mais conhecidos os seguintes: ➥ inválidos;
➥ incapacitados;
➥ minorados;
➥ impedidos;
➥ descapacitados;
➥ excepcionais.

Porém, foi em 2006 com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada pelo Brasil em 2007 e ratificada em 2008 pelo Congresso Nacional, que de fato se oficializou o termo “pessoas com deficiência” que é o que a gente usa atualmente.

Ao longo da história foi mais fácil prestar atenção nas barreiras e às aparências do que a sua capacidade de realização.
E mesmo com avanços significativos no que se referem as questões sociais, políticas e legais as pessoas com deficiência continua sendo visto como incapazes e improdutivos, chamados por nomes pejorativos como: coitadinhos, pobrezinhos e tantos outros.

Socialmente é necessário que acha uma mudança, onde atenda os interesses de todes, todos e todas as pessoas indiscriminadamente. Lutar a favor da inclusão social deve ser de responsabilidade de cada um de nós e de todos coletivamente.
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