04/09/2019

A Mulher Com Deficiência que não é vista, não é lembrada!

A mulher que não é vista, não é lembrada.
Não é comum, ou seja, quase nunca a mulher com deficiência é vista no meio feminista. Isso acontece porque socialmente as mulheres com deficiência são invisibilizadas, porque habitamos no corpo que o foge aos padrões de “normalidade” imposto pela indústria da moda está fora do ângulo de visão da coletividade.
Está fora do mundo!
A mulher que não é vista, não é lembrada.
A existência humana não deve ser moldada por padrões e opressões. 
Eu percebo o invisível diante dos olhos preconceituosos de uma sociedade capacitista, que
significa para as pessoas com deficiência o mesmo que o racismo para as pessoas negras, e o machismo para as mulheres.
A cultura capacitista é também tão hipócrita que parabeniza e taxa como “exemplos de superação” indivíduos com deficiência que vencem as dificuldades criadas pela mesma sociedade que os oprime e os classifica como desiguais.
E quando falamos de sororidade estamos falando da união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em buscar objetivos em comum, como a liberdade e os direitos reivindicados.
União essa que pra mim está longe de acontecer por causa da rivalidade feminina que está enraizada que na maioria das vezes passa ser até considerada “natural”.
Claro que isso não quer dizer as mulheres com deficiência são todas santas e boazinhas.
Existe sim rivalidade e inveja entre as nossas iguais com deficiência como as iguais as sem deficiência.
Não é preciso infantilizar e nem banalizar a sororidade saindo por aí apoiando e amando todas as mulheres, o mas importante é pensar duas vezes antes de ver uma mulher como inimiga sem ter feito nada. Acabamos dando um tiro no pé, fortalecendo o patriarcado. E só vamos conseguir combater a rivalidade feminina através da sororidade.
Incrível! Eu conheci essa união e aliança quando eu comecei a sociabilizar com as minhas iguais com deficiência já na fase adulta em 2007, no trabalho formal e na militância. Quando eu percebi que nós tínhamos muitas situações em comum: dificuldade para comprar roupas e sapatos, para fazer manutenção da cadeira de rodas, para o mercado de trabalho formal, relacionamentos afetivos etc, e assim na medida do possível a gente vai se ajudando respeitando sempre a deficiência e as limitações. Que nos remete que a mulher com deficiência está em estágio embrionário no conceito de sororidade e sociabilidades femininas. Estamos em construção, nos abrigando, apoiando para prosseguirmos na existência e resistência.
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