04/12/2020

Mulheres, deficiências e capacitismo


“Eu tive poliomielite quando era bebê e a cadeira de rodas passou a ser as minhas pernas, possibilitando que eu circule pela capital paulista entre casa, trabalho e lazer. Apesar de ser independente, eu evito usar o transporte público sozinha. O fato de sermos deficientes nos faz mais vulneráveis e sempre tem alguém que dá um jeito de tocar o nosso corpo.


A situação mais grave aconteceu quando viajava no primeiro vagão do Metrô, indicado para Pessoas com Deficiência. Um passageiro, bêbado, se posicionou estrategicamente em frente da minha cadeira de rodas com as suas partes íntimas na altura da minha boca. Ele simulava movimentos, se esfregando na minha cadeira de rodas. Uma amiga tentou interceder e o homem se alterou, uma passageira argumentou mas foi agredida verbalmente e, então, ela desceu do trem. Na próxima estação, cinco seguranças da companhia metroviária entraram no vagão e o assediador percebeu. Os demais passageiros notaram que ele simulava a embriaguez, na verdade estava sóbrio.

Com medo, eu não quis formalizar a denúncia de assédio sexual, pois viajava todos os dias naquele mesmo horário e percurso. Prometi que se a situação se repetisse faria questão de denunciar. Naquela época eu não tinha a informação que tenho hoje, me arrependo de ter me calado.

Se para uma mulher sair na rua sozinha ou conviver com um agressor já é difícil, imagine para uma mulher com deficiência! Somos mais vulneráveis.”
Ivone de Oliveira (Gata de Rodas)

A deficiência revela a diversidade humana, assinalada de diversas formas. Não é considerada doença e não deve ser confundida com sua causa, mesmo que a causa seja uma doença. As situações e problemas de saúde que as geram podem ser visíveis ou invisíveis, estáticos ou em progressão, dolorosos ou inconsequentes. Quase todas as pessoas terão uma deficiência temporária ou permanente em algum momento de suas vidas (1) e cerca de 15% da população mundial vive com alguma deficiência, embora seja uma parcela invisível por ser sistematicamente excluída da sociedade.(2)

Por Ana Paula Andreotti Amorim e Ivone Gomes de Oliveira

Texto completo com referências:
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